Vendas e CRM
A vaga de vendedor B2B abre, o RH filtra currículos, marca entrevistas, aprova alguém com "boa comunicação" — e três meses depois o resultado comercial não aparece. O problema quase nunca é falta de candidatos. É que quem avaliou não sabia o que procurar.
Contratar para uma vaga de vendas B2B é diferente de contratar para qualquer outra função — e a maioria dos processos de recrutamento não trata essa diferença como deveria. Um analista financeiro pode ser bem avaliado por certificações e histórico técnico. Um vendedor não: a única forma confiável de saber se alguém vende é observando comportamento de venda em ação, algo que um roteiro de entrevista genérico simplesmente não capta.
Um currículo mostra onde a pessoa trabalhou, por quanto tempo e qual cargo ocupou. O que ele não mostra — e o que decide se alguém bate meta ou não — é como essa pessoa reage a um "não", como estrutura uma ligação de prospecção do zero, e se ela tem resiliência para manter volume de atividade mesmo em semana ruim. Isso é comportamento, não histórico.
É por isso que candidatos com currículos parecidos — mesmo tempo de experiência, mesmo tipo de empresa anterior — têm performances completamente diferentes na prática. O erro comum de RH generalista é tratar a vaga comercial como qualquer outra: dar peso a formação, tempo de casa na empresa anterior e "fit cultural" percebido em bate-papo, sem nenhum teste real de venda.
Um recrutador que já operou ou geriu uma operação comercial sabe exatamente o que perguntar e, mais importante, sabe simular. Em vez de perguntar "me conte sobre uma venda difícil que você fez", ele monta um cenário de objeção real — do produto, do setor, do ticket — e observa a reação ao vivo. É a diferença entre avaliar o que o candidato diz que faz e observar o que ele realmente faz sob pressão.
| Sinal no processo | O que geralmente significa |
|---|---|
| Entrevista sem nenhuma simulação de venda | Avaliação baseada em autodescrição, não em comportamento observado |
| Todos os candidatos aprovados "se comunicam bem" | Critério vago demais para prever performance real |
| Nenhuma pergunta sobre números concretos de venda anterior | Falta de exigência de prova, não só de discurso |
| Quem entrevista nunca vendeu ou geriu vendas | Dificuldade em reconhecer os sinais reais de quem bate meta |
Em B2B, o ciclo de venda costuma ser mais longo, o ticket mais alto e a decisão de compra envolve mais de uma pessoa do lado do cliente. Isso exige um vendedor capaz de construir relação de confiança ao longo de semanas ou meses, não só fechar rápido. Um processo de seleção que não testa consultoria, paciência e capacidade de navegar múltiplos stakeholders tende a aprovar o perfil errado para esse contexto específico — mesmo que esse perfil funcionasse bem em uma venda B2C de ciclo curto.
O ponto central não é que o RH generalista seja incompetente — é que recrutar vendedor exige um tipo de avaliação que só quem já vendeu ou geriu vendas sabe fazer bem. Currículo e entrevista de comportamento genérica filtram educação e comunicação. Só uma avaliação estruturada e específica de vendas filtra quem realmente vai bater meta.
Fonte: CartaCapital — "Contratação errada pode custar até 150% do custo do funcionário" (2026).
A LAN4 recruta vendedores B2B com quem entende de vendas de verdade — avaliação prática, não achismo de currículo.
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